Unhas da imortalidade
 

Durante anos guardei minhas unhas. Não lembro exatamente como tive a ideia. Mas um dia, depois de aparar pés e mãos, não joguei tudo fora como faria um humano mentalmente são. Em vez disso, guardei as pequeninas meias-luas de queratina numa caixinha de tic-tac sabor laranja. No começo não havia um motivo específico. Talvez tenha sido preguiça de ir até o lixo, talvez a caixinha estivesse ali, ao alcance, sobre o criado-mudo.

Bichanos se rebelam: Scarlett não é gata
 

O ser humano é um bicho estranho. E não estou falando de um ser humano específico, daquele taxista incrivelmente gordo, da cunhada estrábica, do comentarista de futebol com seu bigode gigante amarelado de nicotina. Estou falando do ser humano arquetípico. Estou falando de Scarlett Johansson.

O fetiche Moleskine
 

O Moleskine é um caderninho simples, originalmente preto, com páginas creme, marcador de tecido e um elástico, geralmente também preto, que o mantém fechado. Por sua simplicidade clássica, é um objeto bonito de se olhar. O Moleskine é também muito mais do que isso. É um fetiche. Carrega em si algo além da matéria que o constitui. O fetiche do Moleskine está intimamente ligado ao fato de ele ter sido o caderno de anotações de estrelas da intelectualidade como Van Gogh e Hemingway. Um Moleskine pequeno custa cerca de sessenta reais. Um caderninho idêntico, mas sem a marca do fetiche, custa cerca de vinte.

Três vivas para a conversinha sobre o tempo

 

Ele mal dá seta e já para na sua frente. Você para em seguida e leva um buzinaço que não lhe cabe. Mas que filho da puta! E ainda vai entrar na garagem do seu prédio. Agora fica aí, enrolando pra abrir o portão eletrônico. É só apertar o botão do controle, filho, não tem mistério não. Custa comprar uma bateria nova? Pronto, finalmente, um ano depois... Agora mais meia hora pra conseguir engatar a primeira. Mas foi. Aleluia, irmão!

Não existe amor em 3D
 

Cento e quarenta minutos de explosões, prédios desabando, destroços e rajadas de energia saltando sobre a plateia mastigadora de pipoca ensebada. Saí do cinema zonzo, cabeça doendo, com a nítida impressão de que, se continuar por esse rumo, o tão amado 3D vai acabar de vez com o cinema.